Pós-Graduação em Enfermagem em Cuidados Paliativos (Cbr)

Datas:  9, 16 e 30 de Setembro | 7, 14 e 28 de Outubro | 4, 11, 18 e 25 de Novembro | 16 de Dezembro de 2017

JUSTIFICAÇÃO

As alterações profundas nas curvas de transição epidemiológica e demográfica na sociedade ocidental, as características destes últimos dois séculos, que em paralelo com as mudanças sociais, económicas e médicas (resultantes sobretudo da industrialização e do investimento na curabilidade e aumento da esperança de vida) conduzem à necessidade de rever e refletir sobre os métodos tradicionais de prestação de cuidados de saúde, quando a curabilidade apresenta o seu limite e, a morte é a meta final dos doente que, pela cronicidade, pelo desenvolvimento e pelo agravamento da sua doença, necessitam de cuidados de saúde vocacionados e ajustados às suas necessidades e às necessidades da sua família.

O aumento da esperança média de vida, mais evidente na sociedade ocidental, induz a uma mortalidade em grandes idosos, relacionada com doenças crónicas. A doença crónica, progressiva e não curável potencia, ao longo do tempo, os níveis de dependência e de necessidades físicas, emocionais e sociais. Assim, os doentes e suas famílias precisam de respostas em cuidados de saúde adequadas e direcionadas para esta sua fase de vida, que se relacionam com o adequado controlo sintomático (sobretudo da dor), promoção de conforto e comunicação assertiva e ajustada aos dilemas e conflitos emocionais que se vão colocando com o avançar da doença. Esta resposta exige a participação e cooperação de uma equipa muitidisciplinar em saúde que procura acrescentar “vida aos dias”, principalmente àqueles que, no seu trajeto paliativo, necessitam de cuidados que se coadunam com a seu percurso de doença e de vida, e cujo apoio à família, como unidade a cuidar, é premente e implicando também acompanhamento após a morte do seu ente querido.

A OMS revelou que as doenças crónico degenerativas, se constituiriam como a causa de morte de cerca de 35 milhões de pessoas em todo o mundo, o que salienta a importância deste flagelo dos séculos  XX e XXI, que afecta cada vez mais indivíduos em fase activa e que acarretam níveis de dependência mais ou menos prolongados, com repercussão em elevado sofrimento biopsicossocial.

Os Cuidados Paliativos foram definidos pela OMS, em 2002, como "uma abordagem que visa melhorar a qualidade de vida do doente e família, os quais enfrentam problemas decorrentes de uma doença incurável e/ou grave e com prognóstico limitado, através da prevenção e alívio do sofrimento, com recurso à identificação precoce e tratamento rigoroso dos problemas não só físicos, mas também dos psicossociais e espirituais".

O Programa Nacional de Cuidados Paliativos alega que "a complexidade das situações clínicas, a variedade das patologia, o manejo de um largo espectro terapêutico e a gestão de um sofrimento intenso requer, naturalmente, uma preparação sólida e diferenciada, que deve envolver quer a formação pré-graduada dos profissionais que são chamados à prática deste tipo de cuidados, exigindo preparação técnica, formação teórica e experiência prática efetiva”, dando assim ênfase à importância da formação específica nesta área de cuidar.

De acordo com a Associação Europeia de Cuidados Paliativos, através da sua Task Force em Educação definiu, três níveis de formação em Cuidados Paliativos. A  presente formação baseia-se no nível B (formação avançada, pós-graduada), que se dirige a  profissionais que frequentemente se confrontam com situações de Cuidados Paliativos (ex: oncologia, geriatria, pediátricos, cuidados continuados, cuidados comunitários, doenças crónicas e debilitantes, etc). Esta formação deve conter de acordo com a Associação Nacional de Cuidados Paliativos (2004) entre 90 a 180 horas.

A presente proposta de formação considera como conteúdos formativos os referenciados como essenciais no Despacho de 15 de Junho de 2004 (aprovação do Programa Nacional de Cuidados Paliativos) e o proposto pela Associação Nacional de Cuidados Paliativos no que respeita à formação de profissionais de saúde, incluindo os cuidados à pessoa doente e sua família em internamento ou no domicílio, nomeadamente o alívio dos sintomas; o apoio psicológico, espiritual e emocional; o apoio à família; o apoio durante o luto e a interdisciplinaridade.

 

PROGRAMA

OBJECTIVOS

  • Desenvolver nos profissionais, que atuam na área dos cuidados paliativos, as competências necessárias à prática de cuidados físicos, psicológicos e psicossociais, a doentes e famílias que vivem situações de doença terminal, tanto na comunidade, como em internamento;
  • Compreender e analisar a concetualização e o enquadramento dos cuidados paliativos no continuum de cuidados a pessoas e famílias em fase de doença terminal;
  • Compreender e planear intervenções em cuidados paliativos;
  • Executar e avaliar intervenções em cuidados paliativos;
  • Compreender as estratégias de intervenção terapêutica em cuidados paliativos;
  • Analisar e discutir a dimensão ética do processo de intervenção em cuidados paliativos;
  • Promover a ligação entre os diferentes contextos da prestação de cuidados;
  • Construir e divulgar o saber em cuidados paliativos visando o seu desenvolvimento e evidenciando o impacto positivo na qualidade de vida das pessoas.

 

CONTEÚDOS

  • Princípios e filosofia dos Cuidados Paliativos
  • Doente e adaptação ao processo de doença grave
  • Apoio à família/cuidador principal
  • Trabalho em equipa
  • Atitudes da sociedade face à morte e ao fim de vida
  • Organização do sistema de cuidados de Saúde
  • Autocuidado dos profissionais
  • Perícias de comunicação
  • Controlo sintomático
  • Ética aplicada
  • Apoio no luto

 

PROGRAMA

1 – Os cuidados paliativos no sistema de saúde

1. 1 – Modelos de organização de cuidados paliativos nacionais

1.2 – O doente: observação, avaliação e controlo de sintomas

1.3 – Intervenção geral de Enfermagem

2 – Dor

2.1 – Fase terminal, agonia, morte e luto

3 – Doente e família

3.1 – Impacto da doença grave

3.2. – Comunicação: instrumento terapêutico

4 – Equipa interdisciplinar

5 – Auto-cuidado e aspectos éticos

 

Metodologias de formação

No que diz respeito aos métodos de trabalho, o curso está estruturado da seguinte forma:

  • 1- Ensino teórico (T) e teórico-prático (TP):

Apresentação de conceitos; acompanhamento de grupos de formandos na pesquisa bibliográfica, recolha de informação complementar e elaboração de relatórios; debates, demonstração prática das características, manuseamento, programação e monitorização de cuidados.

 

  • 2- Tempo de trabalho do formando (TF):

Aplicação dos conceitos adquiridos. Pesquisa e recolha de informação. Desenvolvimento do raciocínio lógico e do espírito crítico na análise e resolução de problemas reais

Recursos didácticos/meios/equipamentos: Mmios audiovisuais (computador e projector multimédia);

material de apoio (lista bibliográfica, textos); estratégias de ensino aprendizagem (método expositivo, trabalhos de grupo, pesquisa bibliográfica, debate).

 

Metodologias de avaliação:

Todos os módulos que integram o plano de estudos do curso são objeto de avaliação. Assim, admitem-se as seguintes modalidades de avaliação:

Contínua;

Participação activa (nas sessões letivas, incluindo nos trabalhos de grupo);

Assiduidade;

Sumativa (referente aos conteúdos programáticos dos módulos). A classificação não poderá ser inferior a dez (10) valores.

Trabalho de Projecto. A classificação não poderá ser inferior a dez (10) valores.

 

CONDIÇÕES

Público alvo: Licenciados na área da Saúde, Enfermagem, Social ou Psicologia

 

Coordenação Científica:

Prof. António Amaral

 

Coordenação Científica e pedagógica:

Enf.ª Ana Rocha – IPO de Coimbra

 

Condições de candidatura:

Preenchimento de ficha de candidatura;

Comprovativo do Certificado ou Diploma do Curso de Licenciatura

Síntese curricular (modelo europass ou similar).

Pagamento de taxa de 25€, por transferência bancária, cheque ou vale postal.

Candidaturas através de Internet, email ( Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.) ou correio para:

Formasau, Formação e Saúde Lda.
Parque Empresarial de Eiras, lote 19
3020-265 Eiras


Critérios de selecção por ordem de prioridade:

  1. Documentação referida nas condições de candidatura em ordem;
  2. Ordem de chegada à Formasau (carimbo do correio ou data do e-mail);
  3. Apreciação da síntese curricular.


Matrícula: é oficializada mediante o pagamento de 50€

Propinas: Propina única: 600€
Em três prestações: 250€ cada

Duração: 160 horas (90 horas de sala de aula + 70 horas de trabalho do formando)
Horário: Sábados das 9h às 17:30
Local: Sala de Formação Sinais Vitais