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Aumento de bacterias resistentes à Vancomicina
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TÓPICO: Aumento de bacterias resistentes à Vancomicina
#139
Aumento de bacterias resistentes à Vancomicina 1 Mês, 1 Semana atrás Popularidade: 3
Há quem considere que o grande triunfo da medicina deste século foi a descoberta dos antibióticos. Infelizmente, devido ao seu uso indiscriminado – só deveriam ser usados quando absolutamente imprescindíveis - e à grande capacidade de adaptação das bactérias, muitas já desenvolveram resistência a antibióticos. Diz-se que uma bactéria é resistente a um antibiótico quando consegue sobreviver e multiplicar-se na sua presença. Por outro lado, se não consegue multiplicar-se na presença de um antibiótico, apesar de conseguir sobreviver, diz-se tolerante.

Pensa-se que a tolerância a um antibiótico seja um passo intermédio no sentido da resistência. Naturalmente, um antibiótico ao qual uma bactéria é resistente torna-se inútil no tratamento de infecções provocadas por essa bactéria.

A causa mais comum de Sepsis e Meningite (duas infecções muito graves, que frequentemente causam mortes mesmo em países desenvolvidos como Portugal) é uma bactéria chamada Streptococcus pneumoniae, também conhecida por pneumococos.
Muitas destas bactérias são já resistentes a múltiplos antibióticos. O antibiótico de último recurso nestes casos é a vancomicina. O desenvolvimento de resistência à vancomicina seria consequentemente muito grave. Recentemente foi descrito que se isolou em doentes alguns pneumococos tolerantes à vancomicina.

Esta tolerância é consequência da mutação de um gene (chamado vncS) que produz uma enzima com o nome VncS-histidina-cinase, importante no ligar e desligar de outros genes. A descoberta desta mutação é importante porque permite testar mais facilmente em laboratório se as bactérias de um doente são tolerantes ou não.
A lição importante aqui é de que as infecções nosocomiais são na maioria dos casos condicionadas por este uso indiscriminado de antibióticos, muitas vezes utilizados de forma profilática, descurando-se medidas básicas de higiene e de controlo de infecção. A lavagem das mãos e as medidas para garantir a assepsia são medidas indispensáveis. Outro aspecto fundamental quando se trata de infecções multirresistentes tem a ver com o seu controlo epidemiológico.

A declaração obrigatória destas infecções para as Comissões de controlo da infecção Hospitalar deveria ser um desígnio a que os departamentos de garantia da qualidade dos cuidados deveria dar a maior relevância.

Não podemos perder o contributo que os antibióticos dão no tratamento das infecções, mas para isso não podemos continuar a assistir de braços cruzados a esta utilização em muitos casos indevida destes fármacos.

REVISTA SINAIS VITAIS
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ruimargato
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