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GESTÃO DA DISPNEIA EM CUIDADOS PALIATIVOS: INTERVENÇÕES FARMACOLÓGICAS E NÃO FARMACOLÓGICAS
Breathlessness management in palliative care: pharmacological and non-pharmacological interventions: integrative review of literature
Manejo de la disnea en cuidados paliativos: intervenciones farmacológicas y no farmacológicas: revisión integrativa de la literatura
Rute Severino

VIVÊNCIAS DE PESSOAS SUBMETIDAS A AMPUTAÇÃO DO MEMBRO INFERIOR POR OSTEÍTES
Experiences of people submitted to lower limb amputation due to osteitis
Experiencias de personas sometidas a amputación de miembros inferiores debido a osteítis
Anabela da Conceição Ribeiro Alegre; Arménio Guardado Cruz

PERCEÇÃO DOS CUIDADORES ACERCA DA INTERVENÇÃO DA EQUIPA COMUNITÁRIA DE SUPORTE EM CUIDADOS PALIATIVOS À PESSOA EM AGONIA
Caregiver's perception about the community support team's intervention in palliative care to the person in agony
Percepción de la carrera sobre la intervención del equipo de apoyo comunitario en la atención paliativa a la persona en agonía
Ana Fernandes; Manuela Cerqueira

STRESSE E/OU ANSIEDADE NOS ESTUDANTES DE ENFERMAGEM QUE INGRESSAM O PRIMEIRO ENSINO CLÍNICO
Stress and/or anxiety in nursing students during the first clinical internship
Estrés y/o ansiedad en los estudiantes de enfermería que ingresan en las primeras prácticas clínicas
Inês Fernandes Fragoso; Inês Barata Tavares; José Carlos Santos

EDITORIAL
A pandemia que atualmente vivemos tem apelado à resiliência de cada um na sua individualidade, mas também ao nível familiar, profissional e social. Tida como uma ameaça à saúde pública privilegiaram-se, numa primeira fase, as questões mais ligadas a uma abordagem física do fenómeno. Depressa se percebeu que, com o prolongar da crise, as questões emergentes seriam de saúde mental. O isolamento, a partilha de espaços limitados em confinamento, o medo de ser infetado e/ou de infetar outros (familiares ou outros elementos da rede social), as perdas (quer de funções, papéis ou pessoas próximas), uma informação, muitas vezes, pouco rigorosa centrada no sensacionalismo, escândalo ou catastrofização iriam contribuir para diminuir o bem-estar de todos.
Sendo expetável que todos sejamos afetados no nosso bem-estar, inclusive com algum sofrimento mental, apenas uma minoria, espera-se, terá doença mental. Os estudos de coorte feitos apontam, na sua maioria, para o aumento de transtornos da ansiedade e sintomatologia depressiva, sendo os grupos mais vulneráveis os profissionais de saúde, os idosos, as vítimas de violência doméstica e as pessoas já anteriormente diagnosticadas com doença mental. Mas, começam a emergir, fruto da crise socioeconómica decorrente, os desempregados e as pessoas que viram os seus rendimentos diminuídos. Sabemos, por experiências anteriores, que as crises socioeconómicas aumentam desigualdades e a pobreza, determinantes sociais importantíssimos para a doença mental. Esse conhecimento prévio exorta a que, pela saúde mental, se promovam políticas globais, multissetoriais, com uma forte componente social.
Alguns desafios se colocam à saúde mental nesta fase. Talvez o mais exigente seja não diminuir a acessibilidade aos cuidados em tempo útil quando "todos" os recursos parecem estar mobilizados em torno dos aspetos físicos da doença. Outro diz respeito à reformulação do contacto e/ou relação. As plataformas digitais podem ser uma ajuda complementar, mas não serão, certamente, a panaceia para o problema. O toque, o olhar global, a interpretação do não dito, a partilha de um espaço terapêutico, continuam a ser instrumentos fundamentais essenciais numa relação terapêutica. Outros desafios prendem-se com a mobilização / valorização da rede de suporte quando o contacto é limitado por razões de saúde pública. Como podemos fomentar a confiança no futuro, quando as mensagens públicas apelam mais a um clima de incerteza, pessimismo e medo que o contrário?
A investigação tem contribuído caraterizando a situação através de estudos de coorte, que nos permitiu caraterizar o primeiro impacto do processo de ajustamento a esta pandemia mas, necessitamos de uma resposta mais completa, que permita conhecer melhor o processo de adaptação. Urgem estudos multidisciplinares, longitudinais, centrados nos processos vivenciados por pessoas afetadas. Recentemente, um grupo multidisciplinar de profissionais de saúde mental (Holmes et al, 2020) identificou a necessidade de perceber como podemos diminuir as consequências para a saúde mental de grupos vulneráveis e o impacto do consumo repetido de notícias em torno da infeção. Elencou como prioridades o estudo de algumas populações (crianças, adolescentes, famílias, idosos, pessoas com diagnósticos de doença mental prévios, profissionais de saúde, grupos socialmente excluídos, pessoas com baixos rendimentos e/ou insegurança laboral), através de indicadores como a ansiedade, depressão, comportamentos auto-lesivos e suicídio, e o estudo das implicações do vírus ao nível das neurociências. Defendem a harmonização dos dados e instrumentos de medida, trabalho interdisciplinar e coordenações nacionais, sempre que possível, com dimensão internacional.
Talvez enquanto não tivermos resultados mais robustos, a humildade científica e a serenidade, nos levem a ser prudentes na avaliação das implicações da crise que vivenciamos.

José Carlos Santos
PhD, Profº Coordenador, Escola Superior de Enfermagem de Coimbra
Conselho Cientifico, RIE