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FATORES PROFISSIONAIS E SOCIOPSICOLÓGICOS ASSOCIADOS AO BURNOUT EM ENFERMAGEM REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA
Professional and Sociopsychological Factors Associated with Burnout in Nursing - Integrative Literature Review
Factores profesionales y sociopsicológicos asociados al Burnout en ENFERMERÍA- revisión integrativa de la literatura
Pedro Alexandre dos Santos Ribeiro; Luís Miguel Mendes Canas; Paulo Alexandre Ferreira

REFERENCIAÇÃO PARA A COMUNIDADE: A REALIDADE DA ENFERMAGEM NUM SERVIÇO DE PEDIATRIA
Reference to the community: the reality of nursing in a pediatric service
Referenciación a la comunidad: la realidad de la enfermería en un servicio pediátrico
Catarina Escobar; Andreia Gonçalves; Helena Ribeiro da Silva

A INFLUÊNCIA DAS TERAPIAS COMPLEMENTARES NA REDUÇÃO DO STRESS OCUPACIONAL
The influence of complementary therapies in the reduction of occupational stress
La influencia de las terapias complementarias en la reducción del estrés ocupacional
Ana Jesus; Ana Leite; Diana Oliveira; Nicole Campos; Pedro Sequeira, Manuela Ferreira

INFLUENCIA DA EPISIOTOMIA NA SEXUALIDADE: REVISÃO INTEGRATIVA
Influence of episiotomy on sexuality: integrative review
Influencia de la episiotomía en la sexualidad: revisión integrativa
Rita Alexandra Dos Santos Junqueiro Rosado; Maria Otília Brites Zangão

OS REGISTOS DE ENFERMAGEM COMO UMA ESTRATÉGIA INDISPENSÁVEL PARA ASSEGURAR A CONTINUIDADE DOS CUIDADOS
Los registros de enfermería como una estrategia indispensable para asegurar la continuidad de la atención
Nursing records as an indispensable strategy to ensure care continuity
Marlene Rutília Serpa Morais Ribeiro ; Maria Otília Brites Zangão

EDITORIAL

A prevenção de comportamentos suicidários é uma prioridade de saúde pública. Tarefa onde a saúde deverá ter um papel fundamental, mas não exclusivo, apelando a uma visão multidisciplinar e intersetorial. Ao nível da saúde pública as recomendações são bem conhecidas: sistemas de vigilância e informação que permitam a definição do problema; identificação de fatores de risco e protetores, onde a investigação assuma particular relevância; desenvolvimento e avaliação de intervenções, identificando o que funciona e quem beneficia; implementação de politicas e programas efetivos avaliando o seu impacto e efetividade (WHO, 2014).
A crise pandémica que vivenciamos reforçou a necessidade urgente de uma abordagem global e compreensiva, mas, ao mesmo tempo, local, integradora e específica, naturalmente complexa e multifacetada. Pese embora a especificidade de cada contexto, sabe-se que 77% das mortes por suicídio, em 2019, ocorreram em países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento. As questões ligadas à pobreza, diminuição do poder económico, desemprego e aumento das desigualdades sociais são fatores de extrema relevância para a saúde mental e risco de suicídio, havendo maior probabilidade ser acentuadas em situações de crise (WHO, 2011; WHO & CGF, 2014).
Passados largos meses desde o início da pandemia ainda parece haver dúvidas sobre a dimensão da mesma nos comportamentos suicidários, podendo ser identificadas em maior número, hipóteses de aumento no número de suicídios, mas também podemos identificar a crise como fator protetor para o comportamento suicidário (Gunnell et al, 2020; Reger et al, 2020)
Assim, merecem especial atenção os escassos estudos que analisam o previsível impacto da pandemia nas mortes por suicídio. Pirkis et al (2021) estudaram a evolução dos números em 21 países, nos primeiros meses de pandemia (abril a julho de 2020), comparados com os meses anteriores (janeiro de 2019 a março de 2020). Concluíram que os números do suicídio não só não subiram como diminuíram nalguns contextos. Apesar de serem apenas países desenvolvidos, e isto ser uma limitação, permite um olhar não alarmista sobre o fenómeno. Todavia, Tanka e Okamoto (2021) num estudo semelhante no Japão, verificaram que o suicídio diminuiu 14% nos primeiros cinco meses de pandemia (fevereiro e junho de 2020) e aumentou 16% na segunda vaga (julho e outubro de 2020), particularmente entre mulheres, crianças e adolescentes.
Uma meta-análise da literatura (Racine et al, 2021) aponta para que uma, em cada quatro crianças sofreu de depressão e uma, em cada cinco de ansiedade durante a crise pandémica. Aguardando a publicação de evidência nacional, parece haver uma tendência nalguns hospitais (Público, 16-08-2021) para, depois de uma diminuição, na fase inicial da pandemia, assistirmos a um aumento da procura por parte de crianças e adolescentes, por necessidades de saúde mental, havendo maior dificuldade ou mesmo incapacidade de dar respostas em tempo útil, aumentando as vulnerabilidades existentes nestas faixas etárias.
Passada a fase de maior aposta na vacinação, etapa conseguida com grande sucesso, também entre os jovens, talvez esteja na altura de regressar aos contextos comunitários, ter um olhar compreensivo sobre a saúde mental e apostar fortemente na sua promoção junto das crianças e dos adolescentes, com maior proximidade nas comunidades educativas e com disponibilidade de mais recursos ao nível dos cuidados de saúde primários.
No dia 10 de setembro, data em que se assinala o dia mundial da prevenção do suicídio, foi selecionado o lema “Criar esperança através da ação”. Cada iniciativa conta, cada um de nós é importante, mas uma politica alicerçada no bem-estar, combate às desigualdades sociais e aumento da acessibilidade aos cuidados de saúde, será uma ferramenta crucial para a promoção da saúde mental, prevenção de comportamentos suicidários e fomentar a esperança.

Prof. José Carlos Santos