SINAIS VITAIS 118

 

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 SUMÁRIO

  • DOR TOTAL EM CUIDADOS PALIATIVOS PEDIATRICOS
  • Dor crónica: Uma abordagem ao Cuidar em Enfermagem
  • Cuidar da Criança em Fim de Vida: Da Teoria à Intervenção
  • O SOFRIMENTO E OS CUIDADOS PALIATIVOS
  • O papel do pai numa unidade de neonatologia – relato de experiência de ensino clínico
  • Vivências do adolescente hospitalizado: o contributo do enfermeiro no processo de transição
  • Cuidar de uma pessoa portadora de doença mental num contexto de emergência psiquiátrica
  • A Enfermagem em Portugal no início do século XVI (1504 - 1512)
  • Pioneiras de Enfermagem

 

EDITORIAL

A Enfermagem, enquanto profissão e disciplina, foi a que mais se desenvolveu nos últimos 30/40 anos. Foi capaz de integrar novos desafios tecnológicos e novos conhecimentos. Desenvolveu-se no seio da academia produzindo investigação e um conjunto significativo de enfermeiros foi capaz de obter os seus títulos de mestre e doutor.
A produção científica melhorou significativamente com um número cada vez maior de publicações, em revistas nacionais e internacionais, com fator de impacto.
Apesar de todo isto continuamos a viver como que numa nebulosa que nos mantém insatisfeitos e desvalorizados. O poder político e os nossos parceiros não foram capazes, ainda, de valorizar este percurso e muito menos foram capazes de dar conta do que esse percurso trouxe de mais-valia aos cuidados de saúde e ao bem-estar das pessoas.
Mas também é verdade que todos os dias verificamos que há cuidados que deveriam ser produzidos e não são e que, por isso, ficam omissos. Quem os devia receber não os reivindica por não saber que tem direito a eles. Quem os financia não percebe que pode tornar o sistema mais efetivo com o contributo dessas intervenções que ficam por fazer.
A questão que todos nos temos que colocar é, porque é que cada vez mais ficam coisas por fazer, porque é que o fenómeno dos cuidados omissos é cada vez mais presente?
Os fatores que os determinam são vários; a falta de recursos, a negligência ou a desvalorização pura e simples dessas áreas de intervenção dos enfermeiros.
Penso que o que acontece tem um pouco de tudo isto. Mas parece-me, enquanto observador da realidade, que a escassez de enfermeiros nos serviços, com um número de horas potenciais de cuidados por doente nas 24h muito baixa, associada á pressão que se tem exercido sobre os enfermeiros para a realização de outros “trabalhos” que os retiram dos cuidados e a desvalorização do essencial dos cuidados são o principal motivo.
Claro está que em tudo isto o papel do regulador e, sobretudo, dos gestores e líderes da enfermagem parece ser essencial. Estes têm que pensar e agir mais em prol da melhoria da atenção aos cidadãos, não procurando indicadores ligados a projetos, mas indicadores de impacto dos cuidados nas pessoas, monitorizando o que fica por fazer, que vai sendo cada vez mais. Não faz sentido que haja nos nossos hospitais pessoas que não comem e ficam desnutridos, não faz sentido que continuem a morrer pessoas por erros e por omissões preveníveis.
Os gestores têm que se aproximar mais dos cuidados. Conhecendo os doentes, conhecendo as pessoas que lideram e deixarem de se centra tanto em project based actions que têm uma limitação no tempo e retiram os profissionais do essencial.
Salvo melhor opinião.

António Fernando S. Amaral, Enfermeiro
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