SINAIS VITAIS 120

 

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SUMÁRIO

  • Dotação Segura em Enfermagem: Indicadores de Resultado
  • SINDROME DE BURNOUT NOS ENFERMEIROS
  • IDOSOS QUE CUIDAM DE IDOSOS
  • A VINCULAÇÃO PARENTAL
  • Cuidados Paliativos Pediátricos: necessidades específicas da criança e da família e respetivo papel do enfermeiro
  • Turnover: Rotatividade de Recursos Humanos em Enfermagem
  • Obesidade na adolescência: proposta de intervenção
  • Transição saúde/ doença: um caso clínico de doença pulmonar obstrutiva crónica

 

EDITORIAL

Nos últimos anos Portugal tem estado em contraciclo no que diz respeito às dotações de enfermeiros no sistema de saúde. Enquanto os países mais desenvolvidos têm apostado claramente no investimento em cuidados de enfermagem para garantir a qualidade, a segurança, a eficiência e a efetividade, Portugal pelo contrário desinvestiu nesses cuidados a todos os níveis.
Nos cuidados de saúde primários os níveis das dotações dos centros de saúde, em todas os seus “subsistemas” (UCSP, USF, UCC…) têm uma falta crónica de enfermeiros e com números de médicos que em muitos casos duplicam o número de enfermeiros. Nos hospitais públicos assiste-se ao mesmo fenómeno na generalidade dos hospitais com um défict grave do número de horas de cuidados a prestar nas 24 horas a cada doente. Muitos serviços de internamento de alguns hospitais centrais chegam a ter mais médicos do que enfermeiros.
No setor privado as coisas ainda se complicam mais. No setor dos cuidados continuados a presença de enfermeiros é diminuta, ficando os cuidados aos doentes a cargo de pessoas sem o mínimo de preparação. Nos lares, apesar da grande dependência dos idosos que hoje são a sua população, não existem enfermeiros para cobrir as necessidades durante as 24 h e em muitos casos não existem pura e simplesmente enfermeiros. Nas designadas clinicas e hospitais privados tudo é pouco para garantir o lucro. Os enfermeiros que existem são poucos, são mal pagos e não tem segurança no seu emprego.
Quem no final sofre com tudo isto?
As pessoas são que mais sofre na pele. Mas porque será que isto acontece?
Nos últimos anos assistimos a uma sistemática intervenção do Ordem dos médicos no sentido de valorizar a sua profissão, sistematicamente realçar a falta de médicos (em muitos casos artificial) pois como se sabe o ratio de médicos por mil habitantes é, em Portugal, dos melhores entre os países da OCDE. Por outro lado, no que diz respeito aos enfermeiros raramente assistimos a alertas para a necessidade de mudar este estado de coisas. Fala-se de dotações seguras, criam-se até fórmulas de cálculo, mas mais nada. Nada se fez ou se faz para garantir que, pelo menos, essas normas sejam cumpridas pelos empregadores. Digo pelo menos essas, porque dotações seguras é o mínimo que se pode exigir.
A organização sistema de saúde (Serviço Nacional de Saúde e Privados) tem que ser regulada de forma mais eficaz. A Entidade Reguladora não se tem preocupado minimamente com os recursos humanos da saúde. Não tem exigido das organizações que oferecem cuidados de saúde os requisitos mínimos, a este nível, com repercussões graves na qualidade do atendimento e na saúde e bem-estar das pessoas. Sem recursos humanos competentes e em número suficiente não há cuidados de saúde e muito menos cuidados de saúde de qualidade.

António Fernando S. Amaral, Enfermeiro
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