SINAIS VITAIS 127

 

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SUMÁRIO

  • QUALIDADE DE VIDA NOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE DE CUIDADOS PALIATIVOS ONCOLÓGICOS
  • PROMOÇÃO DA QUALIDADE DO SONO NO IDOSO
  • TRANSPLANTE RENAL PEDIÁTRICO: 30 ANOS DE EXPERIÊNCIA DO SERVIÇO DE CUIDADOS INTENSIVOS PEDIÁTRICOS DO CENTRO HOSPITALAR DO PORTO
  • DISTANÁSIA:  A PRINCIPAL INIMIGA DA DIGNIDADE NO FIM DE VIDA
  • DICOTOMIA DA ARTE:  LIBERTAÇÃO VERSUS PERTURBAÇÃO
  • FUMO CIRÚRGICO NO BLOCO OPERATÓRIO

EDITORIAL

Finalmente as vozes levantam-se por um direito essencial. O direito a auferir um vencimento compatível com as funções que se exercem. Os enfermeiros, com formação avançada de especialização, têm sido totalmente discriminados e portanto elogio quem, apesar de tarde iniciou este processo de luta pela dignidade e pela valorização do papel que os enfermeiros especialistas podem e devem desempenhar apara a melhoria da saúde e bem-estar das populações que servem. Claro que espero que não haja motivações políticas outras que não apenas a defesa da profissão e dos profissionais.
Genericamente os anos da Troyka foram anos de grande desvalorização do trabalho, mas no que diz respeito aos enfermeiros essa desvalorização começou ainda antes quando se destruíram as carreiras tornando-as pouco incentivadoras da formação continuada e especializada. Os enfermeiros são hoje geridos pelo Decreto-Lei n.º 248/2009 de 22 de Setembro que apenas comtempla a categoria de enfermeiro e de enfermeiro principal (sinceramente não conheço nenhum local onde se tenham aberto concursos para enfermeiro principal), portanto desvaloriza por completo a formação obtida e a especialização que essa formação promoveu. Como do meu ponto de vista ser especialista não acontece apenas porque se trabalha há muito tempo num local, mas antes com formação e aprendizagem de novas formas de ver e analisar as necessidades em cuidados das pessoas. Desvalorizar essa formação não promove a qualidade dos cuidados e muito menos valoriza a diferenciação que os especialistas incorporam na tomada de decisão e nos cuidados que prestam. Portanto se há diferenciação pelo conhecimento, se há diferenciação pela prática produzida, se há diferenciação pela tomada de decisão e pelo alvo dos cuidados, então essa diferenciação tem que ter como consequência uma diferenciação na remuneração que se aufere.
Hoje sabe-se que a satisfação dos profissionais, a melhoria dos ambientes de prática onde os enfermeiros trabalham e a existência de um número de enfermeiros com formação avançada adequado às necessidades das pessoas que acorrem aos serviços de saúde permite diminuir a mortalidade, melhorar a segurança dos doentes, diminuir as complicações associadas aos tratamentos e portanto permite reduzir custos ao sistema. Sabe-se que evitar uma morte pelos cuidados de enfermagem está, do ponto de vista dos seus custos, em linha com a diminuição da mortalidade pela utilização de fibrinolíticos para o enfarte agudo do miocárdio. A questão que se coloca é esta, porque continua a ser tão difícil investir em cuidados de enfermagem?
Em tudo isto penso que da parte dos enfermeiros que ocupam cargos de gestão não tem havido a força ou a vontade suficientes para alterar este tipo de coisas. Quando sentem a falta de recursos inventam esquemas de horários que minimizam os gastos, na maior parte das vezes sem pensar nas repercussões que essas mudanças podem ter nos cuidados aos doentes. Mudar um esquema de horário não faz aumentar o número de horas disponíveis para cuidados ás pessoas logo, podendo ter resultados na poupança em termos de recursos, não vai ter resultados positivos nos cuidados que é o que qualquer medida de gestão num hospital deve almejar.

António Fernando S. Amaral, Enfermeiro
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