SINAIS VITAIS 129

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OPINIÃO
CARTA AO EDITOR RELATIVA AO EDITORIAL DO N.º 127 DA REVISTA SINAIS VITAIS

CIÊNCIA & TÉCNICA
MENTORSHIP: SUPERVISÃO CLÍNICA EM ENFERMAGEM NA COMUNIDADE
CUIDADOS DOMICILIÁRIOS: INVASÃO DA PRIVACIDADE
OS REGISTOS DE ENFERMAGEM COMO UMA ESTRATEGIA INDISPENSÁVEL PARA ASSEGURAR A CONTINUIDADE DOS CUIDADOS
DE QUE FORMA A VISITA DOMICILIÁRIA ENQUANTO ESTRATÉGIA DE INTERVENÇÃO EM
ENFERMAGEM CONTRIBUI PARA A MELHORIA DA QUALIDADE DE VIDA DA PESSOA EM FIM DE VIDA?
A ENFERMAGEM DE REABILITAÇÃO E A PESSOA COM LESÃO VERTEBROMEDULAR COM ALTERAÇÕES DA SEXUALIDADE
CARTA DE UM BEBÉ
ANÁLISE REFLEXIVA DO ARTTIGO "ÉTICA NAS DECISÕES SOBRE O FIM DA VIDA - A IMPORTÂNCIA DOS CUIDADOS PALIATIVOS"
TOXICODEPENDÊNCIAS E PRISÕES OU O ECO DAS VOZES CALADAS

 

EDITORIAL

Os enfermeiros têm vivido, nos últimos tempos, um processo complexo de movimentos reivindicativos que se justificam e que urge serem resolvidos para que o ambiente se pacifique.
A teoria das organizações diz que a satisfação profissional está diretamente ligada á qualidade de vida dos trabalhadores e á qualidade do seu trabalho. Assim, enquanto houver enfermeiros descontentes com as condições do exercício e, sobretudo com o seu salário e expetativas de progresso e desenvolvimento, nunca se poderão almejar altos níveis na qualidade dos cuidados.
Do nosso ponto de vista é necessário recentrar a discussão sobre o efeito que, este descontentamento vigente, pode ter nos utentes dos serviços de enfermagem, ocorram eles no sistema público ou no sistema privado.
Os serviços onde trabalham os enfermeiros estão mal dotados. Por isso muitos dos cuidados a que os doentes deveriam ser submetidos, ficam omissos. As razões da omissão de cuidados pode depender de três questões fundamentais (negligência, não valorização e falta de recursos) das quais a mais importante é a falta de recursos que constrange o tempo disponível para cada utente. Quando um enfermeiro inicia um turno tem um número de horas para disponibilizar (em regra 8 h) para o conjunto das pessoas que tem que cuidar. Á medida que o tempo passa a disponibilidade de tempo vai ficando cada vez menor e aí é necessário tomar decisões sobre que cuidados prestar. É aí que surge a omissão de cuidados privilegiando-se aqueles que sofrem o controlo de outros na equipa em detrimento dos que ficam na área específica da disciplina de enfermagem. Surgem depois as lesões por pressão, as infeções, a falta de informação aos doentes, enfim um conjunto efeitos que poderiam ser prevenidos se os recursos fossem os adequados. Por isso é nossa opinião que a dotação adequada de enfermeiros é um investimento. Se pensarmos que por cada lesão por pressão o tempo de internamento cresce em média 4 dias e se pelo exercício de mais um enfermeiro pudermos prevenir uma destas lesões, então poderemos dizer que o ganho compensou largamente o investimento realizado. Assim retomo a ideia da necessidade de recentrar a discussão e passar do ruído que, muitas vezes tem sido conotado com objetivos políticos estranhos á profissão, para um discurso que evidencie a indispensabilidade dos cuidados de enfermagem e o que podem acrescentar de valor aos cuidados de saúde.
Este ano comemora-se o 40º aniversário do SNS e a melhor forma de o defender é não o atacar. Claro que o SNS tem problemas, mas colocar sistematicamente a nota no que se passa de menos positivo sem verdadeiramente ir ao cerne das questões é penhorar um dos principais ganhos da nossa democracia.

António Fernando S. Amaral, Enfermeiro
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