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EDITORIAL

ENSINO CLÍNICO DE ENFERMAGEM: QUE ORIENTAÇÃO?

 

No âmbito da Formação em Enfermagem, os ensinos clínicos constituem-se como uma das principais preocupações da profissão, identificadas por enfermeiros e docentes. A licenciatura em enfermagem comporta em média 4.700 horas de formação nas suas componentes teórica, teórico-prática, prática e clínica. As Escolas de Enfermagem detém autonomia científica e pedagógica para a elaboração dos seus planos de estudos, desde que salvaguardem alguns princípios, como atribuir ao ensino clínico, metade do número total de horas do plano de estudos.
Apesar de assumirmos este espaço como essencial à integração de conhecimentos e assimilação de saberes práticos e processuais, facilitador da integração no mercado do trabalho, verifica-se actualmente algumas fragilidades no acompanhamento dos estudantes, que se pretende sistemático e competente.
Este acompanhamento era realizado no passado pelos docentes, mas a integração do ensino de enfermagem no Ensino Superior colocou sobre o corpo docente exigências de ordem académica e administrativa que são aparentemente difíceis de gerir. O tempo disponível para o aluno é cada vez menor, segundo o que se constata, sendo igualmente mais restrita a disponibilidade para os ensinos clínicos. Por outro lado, são os enfermeiros que no desenvolvimento da sua actividade clínica, melhor se colocam para acompanhar a aprendizagem dos estudantes.
Na realidade não existe uma definição clara de responsabilidades e orientações para o acompanhamento dos estudantes. É por isso oportuno preocuparmo-nos em saber se os ensinos clínicos estão a proporcionar a aprendizagem adequada às necessidades de desenvolvimento de competências esperadas dos enfermeiros.
De forma a melhorar a qualidade ao ensino clínico, teremos de analisar e repensar os actuais modelos de orientação e acompanhamento. Assim, este deveria ser estruturado com base na simbiose entre o Docente e o Enfermeiro, reconhecendo a este último como o melhor capacitado para lidar e familiarizar o estudante com os assuntos inerentes à prática clínica, e o docente como detentor dos melhores instrumentos pedagógicos.
Entendemos que não é suficiente planear a duração e distribuição dos períodos de ensino clínico ao longo do curso. É necessário também prepará-los na dimensão da implicação e rentabilização de todos os actores, docentes e enfermeiros, alterando se necessário a orientação tradicional que todos assistimos neste momento. Para isso, todos somos indispensáveis, os actores, as instituições de saúde, de formação e as tutelas.
No que respeita às instituições de saúde, os seus responsáveis devem considerar também este como um importante desafio, organizando-se para responder com qualidade em cuidados aos cidadãos, apostando em processos de questionamento sistemático sobre a prática, direccionando a formação para evidenciar e consumir saberes da disciplina e integrando processos de melhoria contínua da qualidade, constituindo-se assim como entidades formadoras, tanto para os estudantes como para os seus profissionais.

Carlos Margato
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