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CARACTERIZAÇÃO ACÚSTICA DE EQUIPAMENTOS DE MONITORIZAÇÃO EM UNIDADES DE CUIDADOS INTENSIVOS

AUTORES: Mário S. Mateus, Nuno A. G. Martinho, José Luis Afonso, Marciana Dia

Resumo
Todos nós já nos apercebemos, que o ruído é uma das causas de incomodidade para o ser humano. Frequentemente, somos mesmo levados a pensar, que o aumento do ruído no quotidiano está associado ao desenvolvimento das sociedades, encarando-o até como um mal necessário.
No meio hospitalar e, particularmente em certas unidades altamente especializadas, são cada vez mais utilizados equipamentos que produzem níveis sonoros com características desagradáveis para o ser humano. Estes níveis chegam mesmo a provocar algumas reacções por parte dos profissionais de saúde e dos próprios utentes.
Assim, é importante o conhecimento e a caracterização dos campos sonoros gerados, de modo a ser possível minimizar a sua influência.
Neste trabalho analisam-se as características acústicas de alguns equipamentos de monitorização diariamente utilizados em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI).

Palavras Chave
Ruído, Ambiente Hospitalar, Níveis Sonoros, Poluição Acústica.

Introdução
Tendo em atenção a perspectiva holística da prática do cuidar, actualmente, a equipa multidisciplinar de saúde que, directa ou indirectamente, presta cuidados aos utentes, tem à sua disposição equipamentos de monitorização e análise muito sofisticados. Estes meios integram cada vez mais funções e permitem, em última análise, aumentar a celeridade e a qualidade do seu desempenho.
Cabe pois aos profissionais que diariamente utilizam esses equipamentos, um aperfeiçoamento constante relativamente às técnicas de monitorização. Para além do domínio dessas técnicas devem simultaneamente possuir alguns conhecimentos dos próprios equipamentos que diariamente utilizam. Isso permitir-lhes-á uma utilização mais eficaz e racional dos recursos materiais de que dispõem.
Sendo muitos destes equipamentos utilizados para monitorizar alguns dos parâmetros vitais dos doentes, eles fornecem os resultados das suas medições através de informação visual, escrita ou sonora.
Qualquer dos tipos de informação referidos deve ser claramente recebido e descodificado pelo receptor, neste caso, o profissional de saúde. Para que um sinal sonoro seja recebido com clareza, o emissor tem que ter uma amplitude e um conteúdo de frequências bem determinado.
A comunicação estabelecida pode por isso ser afectada pela presença dos campos sonoros existentes no local. Desta forma, os campos sonoros gerados pelos alarmes internos dos equipamentos, podem por si só, devido ao nível de pressão sonora gerado ou às suas frequências, perturbar não só os profissionais que com eles trabalham, como também o próprio doente que deles depende. Urge por isso compreender os fenómenos acústicos envolvidos e a forma como o ser humano lhes reage.
Existem algumas características associadas aos sons que suscitam reacções de desagrado por parte do homem, de tal forma, que esses sons desagradáveis são vulgarmente chamados de ruído. Harris (1979) define o ruído como sendo um som de natureza aleatória, cujo espectro de frequência não exibe componentes predominantes. Paralelamente a esta definição, que se pode descrever matematicamente, é comum utilizar uma outra, subjectiva, onde o ruído é caracterizado como sendo um som que pela sua amplitude ou pelo seu conteúdo de frequência causa reacções desagradáveis no receptor (o homem).
É sabido que, para além de alterações e reacções no comportamento humano, se manifestam nos seres vivos, nomeadamente no homem, alterações fisiológicas.
William Burns em Harris (1979) refere que as alterações fisiológicas se relacionam com a amplitude, com o tempo de exposição e também com as características de frequência dos sons a que os seres humanos são submetidos.
Este autor considera dois tipos de alterações: as de curta e as de longa duração. Das alterações referenciadas como de curta duração (mensuráveis em minutos ou fracções de minuto) destacam-se:
- Reflexos que envolvem contracções musculares instantâneas ( ex. músculos faciais);
- Ritmo respiratório;
- Ritmo cardíaco e consequentes alterações da pressão sistólica e diastólica;
- Circulação sanguínea periférica;
- Dilatação das pupilas;
- Mobilidade gastrointestinal.
Nas alterações fisiológicas de longa duração, que o autor indica como podendo manifestar-se durante horas, dias ou mais, destacam-se:
- Alterações homeostáticas;
- Alterações no sistema nervoso autónomo;
- Alterações no sistema parasimpático;
- Alterações no sistema adrenomedular-simpático;
- Alterações da actividade hormonal do córtex adrenal.
Para além destes efeitos, devem também considerar-se os de natureza psicológica (Dias e Afonso, 2000) e o próprio risco de trauma auditivo referido por William Malnick em Harris (1979).

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