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Duplo emprego, apenas uma reflexão

Autora: Fernanda Isabel Mestre Grou

Ao escrever este pequeno apontamento pretendo apenas realizar uma reflexão crítica sobre o duplo emprego e as suas consequências.
À dias após mais uma daquelas maratonas de trabalho, 16 sobre 16 horas, que deve ser familiar a muitos de vós, dei por mim a pensar sobre as motivações que levam tantos enfermeiros, como eu a ter duplo emprego e como isso influência o nosso desempenho profissional e a nossa vida pessoal.
Vários são os factores que na minha opinião levam à procura do duplo e às vezes do triplo emprego
- a falta de enfermeiros que se faz sentir em todo o país, favorece o duplo emprego tanto dentro da instituição em que se trabalha, como noutras instituições, o que é permitido pelo governo que não tem capacidade de dar resposta às carências existentes, sendo vários os serviços que entrariam em rotura completa senão se recorresse a esta solução.
- a remuneração auferida que ainda deixa muito a desejar quando comparada com o que auferem outros licenciados, e considerando que todos procuramos satisfazer as nossas necessidades básicas, inicialmente e à posterior  influenciados pela sociedade de consumo essas necessidades vão aumentando e o facto de poder auferir mais e aumentar a nossa capacidade financeira é um cenário que nos atrai e que nos vai progressivamente deixando “ prisioneiros do dinheiro”.
Tantos colegas  que como eu dependem economicamente do 2º emprego, pois o seu ordenado “ sugado” pelas despesas da casa e carro!!
- a considerar tambem o facto de trabalharmos por turnos que nos proporciona uma sensação de que temos muito tempo livre e que acabamos por “aproveitar “ a trabalhar.
Sinceramente como influência o meu desempenho profissional o facto de trabalhar em duplo, não o sei muito bem mas uma coisa é certa, nesta experiência nem tudo è tão negativo como muitas vezes se faz passar a ideia.
Esta experiência também tem sido enriquecedora tanto a nível profissional como pessoal, ganhei maior confiança no meu desempenho, adquiri novas competências na area da hemodialise, que desconhecia por completo, e pude- me aperceber da realidade do doente insuficiente renal crónico em tratamento.
Tal como eu, acredito que outros colegas tenham a mesma opinião e experiências similares,  pois na maior parte das vezes o “ duplo” é numa area diferente daquela em que desempenhamos as nossas funções habitualmente
Procuro sempre, embora por vezes não o consiga, estar disponível para ouvir o doente e com ele estabelecer uma relação de confiança, que favoreça uma relação terapêutica, e desde que acumulo funções essa noção está muito mais presente pois o doente não pode ser culpabilizado pelas minhas opções.
Sempre defendi que ao contrário do que diz o velho ditado “ o saber não ocupa lugar , que o saber ocupa lugar...o saber ser; o saber fazer; saber estar!!!!
Às vezes sou tentada a pensar que somos quase “super mulheres ou homens “ pois temos dois empregos, continuamos a investir na formação profissional, procuramos estar disponíveis para os outros e ainda temos uma família!